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Tecnologia acessível pode ampliar a comunicação de crianças com autismo não verbal

publicado: 30/06/2026 05h00, última modificação: 29/06/2026 18h25
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Autores: Ester L. da Silva, Maria Eduarda T. Gimenez, Maria Izabel S. Rodrigues (Estudante de graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba)

Orientador: Oswaldo Hideo Ando Junior (Doutor em Engenharia e professor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) da Universidade Federal da Paraíba). 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta 2,4 milhões de brasileiros (IBGE, 2022), com matrículas na educação básica crescendo 44,4% entre 2023 e 2024 (Censo Escolar, INEP). Crianças não vocais com TEA enfrentam barreiras severas de comunicação, impactando sua autonomia e inclusão social. Diante disso, estudantes do CEAR/UFPB desenvolveram um dispositivo eletrônico assistivo de baixo custo, apresentado na Feira de Engenharia e Energia 2026, baseado nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) — método de intervenção com amplo suporte científico, estruturado sobre a modelagem comportamental pelo ambiente por meio de reforços, eficaz na redução de comportamentos inadequados e no aumento de comportamentos adaptativos como interação social e comunicação (Lovaas, 1987; Rodrigues; Molina; Soares, 2020; Santos et al., 2024) —, do PECS — método cujos benefícios na compreensão de instruções por crianças com TEA são cientificamente comprovados, com aumento estatisticamente significante na compreensão de instruções orais e visuais após intervenção fonoaudiológica (Santos et al., 2021) — e do Método Boquinhas — abordagem multissensorial fono-vísuo-articulatória que alia fonemas, grafemas e articulemas, aprovada como Tecnologia Educacional pelo MEC (Jardini, 2006; Jardini, 2011).

Os requisitos do protótipo foram definidos por meio do modelo 5W2H e de entrevistas com especialistas, entre eles o Dr. Jorge Javier Giménez Ledesma, engenheiro eletricista pai de criança com TEA, e profissionais da Clínica de Psicopedagogia da UFPB, que relataram desafios reais de rigidez cognitiva e organização de rotina. Intervenções naturalistas como a NDBI também embasaram o projeto, por ampliarem a diversidade de expressões verbais (Oliveira et al., 2024). O protótipo integra botões físicos, microcontrolador e sistema de resposta sonora e visual simultânea, reforçando mensagens por múltiplos sentidos. Os resultados indicam potencial do dispositivo para apoiar tanto a comunicação imediata quanto a organização de atividades diárias, contribuindo para a inclusão, o aprendizado e a autonomia de crianças com TEA.

Para o desenvolvimento do protótipo, o grupo realizou uma visita à Clínica de Psicopedagogia da UFPB, com o objetivo de esclarecer dúvidas relacionadas às necessidades de indivíduos com TEA não vocais. Nessa ocasião, foi destacada a importância do uso do protótipo aliado a métodos terapêuticos, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e o PECS (Picture Exchange Communication System).

Além disso, foi conduzida uma entrevista com o Dr. Jorge Javier Giménez Ledesma, engenheiro eletricista e pai de uma criança com TEA, cujas contribuições auxiliaram no desenvolvimento do projeto. Para a construção do dispositivo, realizou-se, inicialmente, uma revisão bibliográfica acerca do Transtorno do Espectro Autista (TEA), com ênfase nas dificuldades de comunicação de indivíduos não vocais e nas Tecnologias Assistivas aplicadas ao contexto educacional. Em seguida, foram definidos alguns requisitos para o dispositivo, como a portabilidade dos componentes e o baixo custo de produção, uma vez que o objetivo era tornar o dispositivo acessível. 

Posteriormente, foram selecionados os componentes para a construção do protótipo, entre eles: Arduino, módulo DFPlayer Mini, botões, uma caixa de MDF e placa perfurada para soldagem dos componentes do circuito. No módulo, foram incorporados arquivos de áudio para a reprodução de sons, possibilitando que, ao pressionar os botões, o indivíduo possa se comunicar. A soldagem dos componentes em placa perfurada foi adotada em substituição ao uso de jumpers, devido ao mau contato identificado com essa solução.

O protótipo foi testado e apresentado na Feira de Engenharia e Energias, onde obteve boa recepção por parte dos participantes.

CONCLUSÃO

O protótipo de quadro interativo para pessoas com TEA não vocais tem potencial para ampliar a comunicação espontânea, reduzir comportamentos reativos, promover autonomia e favorecer a inclusão escolar e o trabalho terapêutico. Seu design modular com componentes acessíveis (Arduino, DFPlayer Mini) facilita a replicação em diferentes contextos. O grupo concluiu o projeto com sucesso, apresentando-o na Feira de Engenharia Elétrica e obtendo ganhos técnicos e interpessoais ao longo do desenvolvimento. A principal limitação — mau contato elétrico — foi quase totalmente superada com o uso de placa perfurada, restando apenas instabilidades pontuais no conector de bateria.

Para trabalhos futuros, sugere-se estrutura mais robusta, expansão das frases disponíveis com um banco de dados utilizando um microcontrolador ESP32 e aprimoramento do circuito, com o objetivo final de contribuir para a comunicação e inclusão social de pessoas com TEA.

Resumo dos Currículos:

Ester Leal da Silva é estudante de graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Possui interesse nas áreas de eletrônica, automação e programação, sendo integrante do Programa de Educação Tutorial (PET Elétrica), com atuação em projetos acadêmicos e atividades de extensão voltadas à disseminação do conhecimento técnico-científico.

Maria Eduarda Tavares Gimenez é estudante de Engenharia Elétrica da UFPB e participante do projeto de extensão PROBEM – Programação e Robótica no Ensino Médio. Possui conhecimentos em Arduino, programação em C/C++, Python básico e robótica educacional, com interesse em eletrônica e desenvolvimento tecnológico.

Maria Izabel Silva Rodrigues é graduanda em Engenharia Elétrica pela UFPB, com interesse em programação, análise de dados e tecnologias aplicadas à engenharia. Atua no PET Elétrica e possui experiência em Python aplicado à resolução de problemas computacionais.

Oswaldo Hideo Ando Junior (Orientador) é doutor em Engenharia e atua em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I) nas áreas de Qualidade de Energia, Energy Harvesting, Energias Renováveis, Smart Grid e Sistemas de Armazenamento de Energia. É líder do Grupo de Pesquisa em Energia e Sustentabilidade (GPEnSE) do CEAR/UFPB.

 

Edição: Nathália Aguiar 

Arte: Bianca Liège