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ARTIGO CIENTÍFICO - DA CIÊNCIA PARA VOCÊ

Quando a pimenta-do-reino ajuda a combater bactérias resistentes

publicado: 04/05/2026 16h01, última modificação: 04/05/2026 16h10
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Autora:  Isabela Lira Anesio - Doutoranda em Química Orgânica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) 

Orientador: Prof. Dr. Petrônio Athayde-Filho - Professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e criador da INOVA-UFPB

A resistência bacteriana é hoje um dos maiores desafios da saúde mundial. Infecções que antes eram facilmente tratadas passaram a exigir medicamentos mais fortes, caros e, em alguns casos, já não respondem aos antibióticos disponíveis. Diante desse cenário preocupante, pesquisadores têm buscado soluções inovadoras que vão além da simples criação de novos antibióticos. Uma dessas estratégias envolve o reaproveitamento de substâncias naturais conhecidas, como a piperina, composto responsável pelo sabor picante da pimenta-do-reino. A partir dela, cientistas desenvolveram novos compostos capazes de ajudar antibióticos tradicionais a voltarem a funcionar contra bactérias resistentes.

O estudo investigou derivados sintéticos da piperina com o objetivo de enfrentar um dos principais mecanismos de defesa das bactérias: as chamadas bombas de efluxo. Essas estruturas funcionam como verdadeiras “bombas de expulsão”, eliminando o antibiótico antes que ele consiga agir dentro da célula bacteriana. Os pesquisadores modificaram quimicamente a piperina para criar novos compostos e testaram sua ação contra bactérias de relevância clínica, incluindo linhagens multirresistentes de Staphylococcus aureus, um microrganismo frequentemente associado a infecções hospitalares.

Os resultados mostraram que, embora os novos compostos não atuem como antibióticos potentes por si só, alguns deles foram capazes de reduzir significativamente a dose necessária de antibióticos já existentes, como o norfloxacino. Isso indica que essas substâncias conseguem “desarmar” as bactérias, impedindo que elas expulsem o medicamento. Essa abordagem é considerada estratégica porque permite prolongar a vida útil dos antibióticos disponíveis, reduzindo a necessidade imediata de desenvolver novos fármacos, um processo longo, caro e complexo.

CONCLUSÃO

A pesquisa demonstra que soluções para problemas complexos, como a resistência bacteriana, podem surgir a partir da combinação entre ciência básica, inovação química e colaboração interdisciplinar. O uso de derivados da piperina como moduladores da resistência microbiana abre caminho para novas alternativas terapêuticas, mais acessíveis e sustentáveis. Embora ainda sejam necessários estudos adicionais antes de qualquer aplicação clínica, os resultados reforçam a importância de investir em estratégias que ajudem a recuperar a eficácia dos antibióticos já conhecidos — uma necessidade urgente para a saúde pública global.

Artigo disponível em: https://dx.doi.org/10.21577/0103-5053.20260017.

Currículo Resumido de Isabela Lira Anesio

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Química da UFPB, sob a orientação do Porf. Dr. Petrônio Athayde-Filho. Técnica de Laboratório do Colégio Vila. Mestre em Química Inorgânica pela Universidade Federal da Paraíba (2018-2020), sob a orientação do Prof Dr. Wagner de Mendonça Faustino, graduada em Licenciatura em Química pela mesma instituição. Na graduação, exerceu a função de PIBIC (iniciação científica) no laboratório de pesquisa LPBS (Laboratório de Pesquisa em Bioenergia e Síntese) na mesma universidade pela orientação do Prof. Dr. Petrônio Athayde-FIlho.Trabalhou, também, como monitora bolsista da disciplina de Computação para Química nos períodos de 2013-2014, com a orientação da Prof. Dra. Claudia de Figueiredo Braga, e no Programa de Iniciação à Docência entre 2015-2016, com orientação da Prof. Dra. Teresa Cristina Bezerra Saldanha e Prof. Dra. Karen Cacilda Weber, como bolsista.

Currículo Resumido de Petrônio Athayde Filho

Professor Titular da UFPB, Doutor em Química (UFPE), com atuação em Síntese Orgânica de moléculas bioativas. Possui relevante produção científica internacional e experiência na formação de mestres e doutores. Destaca-se na área de inovação tecnológica, com quatro patentes concedidas pelo INPI, criador da INOVA-UFPB e ex-Diretor-Presidente da Agência de Inovação da UFPB (2013–2020). Foi homenageado com a Láurea João Florentino Meira de Vasconcellos de Inovação Farmacêutica, em reconhecimento à sua contribuição científica e tecnológica.