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Pesquisadores e produtores de Areia, brejo paraibano, alertam para a extinção das abelhas na região
Foto: Emanoella Alves
No município de Areia, brejo paraibano, pesquisadores, apicultores, meliponicultores, e a comunidade projetam o mel de abelha produzido localmente no turismo gastronômico. O projeto Rota do Mel para o Turismo leva conhecimento, sabor e desenvolvimento para a região. Mas, um fato tem chamado a atenção dos pesquisadores, a extinção das abelhas, responsáveis por um terço dos alimentos que consumimos.
Segundo Adriana Evangelista Rodrigues, profª de Apicultura, do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (CCA/UFPB), e coordenadora do projeto Rota do Mel, existem mais de 20 mil abelhas de espécies conhecidas. Ela chama a atenção para os problemas que podem ser enfrentados com a extinção das abelhas. Responsável pela polinização de grande parte dos alimentos consumidos no mundo, as abelhas são fundamentais para a biodiversidade, a agricultura e o equilíbrio ambiental.
Adriana atua conduzindo projetos em qualidade de produtos apícolas, nutrição de abelhas, conservação e morfometria de abelhas nativas e africanizadas e identificação da flora ideal para atrair abelhas.
Importância das abelhas
A extinção das abelhas teria consequências catastróficas para a biodiversidade, a agricultura e a segurança alimentar global. As abelhas são responsáveis pela polinização de cerca de 75% das plantas com flores, incluindo aproximadamente 35% das culturas alimentares mundiais, como maçãs, morangos, amêndoas, tomates e cacau. Além de aumentar a produtividade agrícola, elas garantem a reprodução de plantas silvestres, sustentando ecossistemas inteiros e a diversidade de animais que dependem dessas plantas. Sem abelhas, a biodiversidade do planeta seria profundamente ameaçada, e muitas espécies vegetais e animais poderiam enfrentar extinção.
Principais causas do declínio:
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Pesticidas, especialmente neonicotinóides, causam disfunções neurológicas, dificultando a navegação, a forragem e a sobrevivência das abelhas
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Perda de habitat natural, devido à expansão urbana e à agricultura industrial, reduz fontes de néctar e pólen.
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Monoculturas diminuem a variedade de alimentos disponíveis, tornando as abelhas mais vulneráveis.
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Mudanças climáticas alteram o ciclo de florada e provocam condições extremas, como secas e invernos rigorosos, afetando a sobrevivência das colônias.
As pesquisas desenvolvidas no Setor de Apicultura do CCA envolvem três espécies de abelhas: Melipona scutellaris - Uruçu (estão entre as espécies de abelhas nativas sem ferrão mais valorizadas do Brasil, reconhecidas pelo grande porte, pela docilidade e pela excelente produção de mel, sendo consideradas um verdadeiro sonho para muitos meliponicultores ), Plebeia droryana (abelha de pequeno porte e sem ferrão, nidifica em árvores ocas, muros e barrancos ) e a Apis mellifera (conhecida por sua capacidade de coletar néctar e pólen das flores, além de resinas das plantas para a elaboração da própolis, que é utilizada para a proteção da colônia).
O projeto Rota do Mel de Areia teve início em 2023, e conta com a participação de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O projeto tem como objetivo trazer para o município e região o turismo de experiência, além de conscientizar os turistas sobre a importância das abelhas e conservação do meio ambiente para a biodiversidade. Areia é destino turístico, principalmente no inverno, pelo clima (mais frio), cultura, arte e gastronomia.
Para Adriana, a meliponicultura traz uma inserção social e econômica para os meliponicultores que através da produção do mel de abelha e valor agregado ao produto possibilita melhores condições econômicas para suas famílias. “A criação de abelhas no Nordeste é bastante importante para a economia e o desenvolvimento social”, enfatiza ela.
Uma das etapas do projeto foi a realização do Workshop de Meliponicultura realizado em Areia, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), que reuniu pesquisadores, estudantes, meliponicultores, turistas, rede hoteleira e comerciantes da região. O evento contou com palestras, técnicas atuais de produção e criação de abelhas sem ferrão, cosmetologia, feira de artesanato, apresentações culturais e festival gastronômico, utilizando o mel como ingrediente gourmet na composição de receitas.
Rota do Mel
A Rota do Mel, iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no âmbito da Estratégia Rotas de Integração Nacional, tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura em territórios com vocação natural para essa atividade. A ação busca promover o desenvolvimento sustentável e a geração de renda por meio da organização dos produtores, da qualificação técnica e do incentivo à agregação de valor aos produtos apícolas, como o mel, a cera, o própolis e o pólen. Ao integrar políticas públicas e atores locais, a Rota contribui para ampliar a produtividade, diversificar mercados e estimular práticas ambientalmente responsáveis. Com foco na valorização da agricultura familiar e da conservação ambiental, a Rota do Mel reconhece o papel estratégico das abelhas na polinização e na preservação da biodiversidade. Além de fortalecer a produção e a comercialização, a iniciativa incentiva a inovação, o cooperativismo e o turismo rural associado à apicultura, conectando sustentabilidade, cultura e economia regional. Dessa forma, a Rota do Mel se consolida como um instrumento essencial para o desenvolvimento territorial equilibrado, unindo tradição, conhecimento e responsabilidade ambiental em prol de um setor mais integrado e produtivo.