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Pesquisa apoiada pela Fapesq é apresentada em congresso internacional e vira curso na ABRALIN EAD

publicado: 25/06/2026 10h27, última modificação: 25/06/2026 14h33
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Estudante Isabelly Maria Silva Santos
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Prof. Leônidas José da Silva Júnior
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Estudante Isabelly Maria Silva Santos
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Prof. Leônidas José da Silva Júnior

O Protosody, protocolo semiautomatizado de análise de prosódia desenvolvido no âmbito de pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), é destaque em congresso e periódico internacional e vira curso em inglês. O projeto é orientado pelo professor Leônidas José da Silva Júnior, docente do curso de Letras do Centro de Humanidades (CH/UEPB), do Mestrado Profissional em Letras (Profletras/UEPB) e do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL/UFPE).

De acordo com Leônidas, o Protosody foi apresentado em 2024 no Speech Prosody 2024, realizado em Leiden, na Holanda, um dos principais congressos internacionais da área. No mesmo ano, o protocolo também foi aplicado em artigo completo publicado em inglês no Journal of Visualized Experiments (JoVE), periódico internacional voltado à divulgação de protocolos científicos reprodutíveis.

A partir desses resultados, a pesquisa ganhou uma nova etapa de difusão científica e formação acadêmica com a participação da estudante Isabelly Maria Silva Santos, graduanda em Letras-Inglês do Centro de Humanidades, campus III da UEPB, bolsista de Iniciação Científica – Ações Afirmativas (IC-Af), com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq). Isabelly apresentou o funcionamento do Protosody em português, em formato de aula, como parte de um curso da modalidade Escolas da ABRALIN, disponibilizado na plataforma ABRALIN EAD, da Associação Brasileira de Linguística. As inscrições estão abertas no site das Escolas da Abralin, https://escolas.abralin.org/#abra.

O protocolo pode ser utilizado em diferentes áreas. Uma delas é a pesquisa sobre sotaques estrangeiros, pois permite analisar ritmo, entoação e qualidade vocal na produção de outras línguas. Em pesquisas vinculadas ao PIBIC, por exemplo, a ferramenta tem sido usada para investigar diferenças acústicas entre o inglês e o português brasileiro como línguas nativa e estrangeira. Outra aplicação está na sociofonética, em estudos comparativos entre dialetos do Brasil e de outros países, bem como no campo da fonética forense e em pesquisas voltadas à educação e à diversidade linguística.

O Protosody também pode ser empregado na fonética clínica, auxiliando investigações sobre patologias da fala e padrões associados à fala neuroatípica, com geração de dados acústicos objetivos para análise e acompanhamento.

Segundo o professor Leônidas, além da aplicação em pesquisa, o Protosody pode ser utilizado na formação de estudantes, especialmente os de Iniciação Científica, ao introduzi-los a ferramentas computacionais, métodos de análise acústica e procedimentos de pesquisa experimental. A bolsista Isabelly participou da execução do protocolo e da elaboração da aula em português. Ela organizou a apresentação do conteúdo e a explicação das etapas de uso da ferramenta para estudantes, professores e pesquisadores.

“A publicação do Protosody no Speech Prosody 2024, realizado em Leiden, na Holanda, representa a inserção de uma pesquisa desenvolvida na UEPB em um dos congressos mais importantes do mundo na área de prosódia. O evento reúne pesquisas recentes sobre ritmo, entoação e qualidade vocal, em interface com tecnologias aplicadas à fala”, destacou o professor.

Para Isabelly Maria Silva Santos, estudante de Iniciação Científica – IC-Af/Fapesq-PB, o Protosody torna mais ágil uma etapa que tradicionalmente exige trabalho manual. Antes de iniciar o protocolo, o usuário deve dispor de arquivos de áudio e de texto com as respectivas transcrições linguísticas.

“O protocolo tem três etapas. A primeira consiste em um alinhamento fonético via web, por meio do webMAUS. Nessa etapa, o arquivo de áudio é segmentado em vogais, consoantes e pausas. A segunda etapa utiliza o programa VVUnitAligner, que reprocessa os dados da etapa anterior e identifica sílabas fonéticas, enunciados e os tons mais altos e mais baixos ao longo da frase produzida. Por fim, o programa SpeechRhythmExtractor é utilizado para extrair parâmetros acústicos da fala baseados na prosódia”, explicou Isabelly.

Segundo a estudante, participar do projeto tem sido uma experiência enriquecedora. “Trabalhar com um protocolo inovador como esse permitiu um aprofundamento na área de fonética computacional e o desenvolvimento de habilidades em pesquisa experimental e em métodos de interpretação de dados. Estudar e apresentar este projeto, já aceito na comunidade científica nacional e internacional, em formato de aula na plataforma ABRALIN EAD foi uma experiência significativa. Só tenho a agradecer ao professor Leônidas por ter me dado a oportunidade de fazer parte dessa fase do projeto. Atualmente, esta ação é um curso de 12 horas de duração, com direito a certificado, dentro da plataforma ABRALIN EAD”, afirmou.

Isabelly informou ainda que ela e o professor pretendem ampliar a iniciativa para cursos síncronos e remotos, incluindo sessões de tira-dúvidas com uso de dados dos próprios participantes.
“O curso na ABRALIN EAD não apenas divulga o Protosody, mas também evidencia o protagonismo de uma estudante de Iniciação Científica em uma ação de formação de alcance nacional e internacional. Para a UEPB, a PRPGP e a Fapesq-PB, isso demonstra como a Iniciação Científica pode formar jovens pesquisadores e, ao mesmo tempo, gerar produtos acadêmicos com impacto para além da própria instituição”, ressaltou o professor Leônidas.

Publicação do artigo em inglês

A publicação do artigo em inglês representou um passo importante para a internacionalização da pesquisa. Ao circular nesse idioma, o trabalho alcança pesquisadores de diferentes países, especialmente nas áreas de fonética experimental, prosódia, sotaque estrangeiro, fonética forense e sociofonética.

O artigo publicado no Journal of Visualized Experiments (JoVE) aplica o protocolo em um estudo sobre sotaque estrangeiro e identificação forense de falantes em fila de reconhecimento de voz. Nele, são analisadas características acústicas como duração, frequência fundamental, intensidade e qualidade vocal, observando a relação entre produção e percepção da fala. O protocolo também está disponível em formato de vídeo-artigo.

A publicação é relevante porque o JoVE é um periódico internacional de alto impacto e prestígio voltado à divulgação de protocolos científicos reprodutíveis. Isso fortalece a dimensão metodológica do Protosody, amplia sua aplicação por outros grupos de pesquisa e contribui para práticas de ciência aberta.

 

Texto: Helda Suene e Zélio Sales

Arte: Antonio Nunes

Fotos: Wanderlan Souza e José Vilian Mangueira