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FAPESP, MCTI e CGI.br aunciam a criação de seis Centros de Pesquisa em Inteligência Artificial

publicado: 05/05/2021 20h17, última modificação: 05/05/2021 20h18
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Os novos Centros de Pesquisa desenvolverão projetos com foco nas áreas de saúde, agricultura, indústria e cidades inteligentes (Gerd Altmann/Pixabay)

A FAPESP, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o CGI.br – Comitê Gestor da Internet no Brasil – anunciaram ontem (04/05) os resultados da chamada de propostas para a constituição de Centros de Pesquisas Aplicadas (CPAs) em Inteligência Artificial com foco nas áreas de saúde, agricultura, indústria e cidades inteligentes.

A FAPESP, o MCTI e o CGI.Br disponibilizarão R$ 1 milhão por ano para cada um dos novos centros por um período de até dez anos. Valor idêntico será aportado pelas empresas parceiras, totalizando R$ 20 milhões por Centro.

Os resultados dos seis centros aprovados foram anunciados em evento on-line organizado pelo MCTI. “Temos sonhado com a inteligência artificial no país e não podemos perder o trem da história. Confio na ciência e nos nossos pesquisadores para criar novas soluções”, disse o ministro Marcos Pontes. “Logo lançaremos novo edital para selecionar mais dois CPAs”, adiantou. O vídeo de lançamento está disponível no canal do MCTI no YouTube.

“O que faz o mundo se mover é a ciência, a pesquisa e a inovação. Não é a economia, como alguns acreditam, desavisadamente”, afirmou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP. Ele lembrou o papel estratégico do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e da FAPESP no “período heroico” da comunicação digital em rede no Brasil, na década de 1980, para prever que a pesquisa em colaboração nas áreas de agricultura, saúde, inteligência artificial, indústria 4.0 e robótica ajudarão a recuperação do país no pós-pandemia. “Convido o MCTI para renovar o que estamos anunciando hoje.”

Para Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação, a inteligência artificial agrega valor e gera novos negócios em setores diversos da economia e cria demandas por recursos humanos talentosos. “Os CPAs serão também hub para a formação de jovens talentosos que certamente terão um futuro brilhante.”

Márcio Nobre Mignon, coordenador do CGI.br, explicou que os recursos para o financiamento dos projetos têm origem na arrecadação de recursos remanescentes do período em que a FAPESP geriu as atividades de registro de domínio de endereços IP no país, entre 1998 e dezembro de 2005, quando então essa tarefa foi assumida pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). “Agradeço à FAPESP, dada a qualidade e o volume de projetos que se apresentaram no edital.”

O número de projetos apresentados à chamada foi “superior às expectativas”, sublinhou Paulo Alvim, Secretário de Empreendedorismo e Inovação do MCTI.

Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, informou que foram submetidas 19 propostas à chamada, encerrada em julho de 2020. “A avaliação ocorreu entre outubro do mesmo ano e março de 2021. A análise envolveu mais de 80 pareceres de assessores nacionais, internacionais e das coordenações da FAPESP. Ao final, o comitê gestor recomendou a aprovação de seis propostas – ante as quatro previstas –, considerando a qualidade excepcional dos projetos”, afirmou, antes de anunciar os resultados

CPAs em Inteligência Artificial selecionados

Os CPAs em Inteligência Artificial seguem o modelo adotado no programa Centros de Pesquisa em Engenharia/Centro de Pesquisa Aplicada (CPE/CPA) da FAPESP. Os seis novos Centros se dedicarão ao desenvolvimento de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, aplicadas e orientadas à resolução de problemas que possam ser resolvidos por meio de inteligência artificial.

O CPA Inteligência Artificial Recriando Ambientes (IARA), que terá como pesquisador principal André Ponce de Leon Carvalho e sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP). em São Carlos, vai operar em rede com pesquisadores de todas as regiões do país no estudo de cinco aspectos de cidades inteligentes: cibersegurança, educação, infraestrutura, meio ambiente e saúde.

O Centro de Inovação em Inteligência Artificial para a Saúde (CIIA-Saúde), com sede no Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), terá como pesquisador responsável Virgílio de Almeida. O CPA será constituído por 130 pesquisadores na investigação de prevenção e qualidade de vida, diagnóstico, prognóstico e rastreamento, medicina terapêutica, gestão de saúde, epidemias e desastres.

O Brazilian Institute of Data Science (BIOS) terá João Romano como pesquisador principal e sede na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC-Unicamp). Seu foco será nas áreas de diagnósticos médicos voltados à saúde da mulher e agricultura de precisão, otimização do uso de recursos agrícolas, entre outras.

O Centro de Excelência em Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial para a Indústria, no Senai/Cimatec, na Bahia, terá como pesquisador responsável Antônio José da Silva Neto. O CPA implementará uma plataforma digital aberta de ciência de dados e inteligência artificial para a indústria 4.0.

O Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial para a Evolução das Indústrias para o Padrão 4.0, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, coordenado por Jefferson de Oliveira Gomes, terá foco em monitoramento e controle em tempo real, digital twin, interoperabilidade e integração da cadeia, sistemas autônomos, robótica e máquinas-ferramentas, entre outros.

O Centro de Referência em Inteligência Artificial (Cereia), na Universidade Federal do Ceará (UFC), será coordenado por José Andrade Júnior e terá como parceiros três Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs): PUC-Rio, Universidade Federal do Piauí e Universidade de Fortaleza. O objetivo é desenvolver projetos por meio de aplicação de internet das coisas (IoT), big data e transformação digital, entre outras, voltadas às áreas de prevenção, diagnóstico e terapêutica de baixo custo.

Agência FAPESP